E mistério O que contém Esse olhar de caramelo É falsete ou será sério É olhar puro e singelo É olhar duro e sincero Quanto quer falar Um olhar silente Quanto quer calar Um olhar carente Ares a suspirar Num olhar ausente Águas a rolar De um olhar doente Há um real mistério Em um olhar que é sério E Alegre a um tempo Ninguém há de decifrar A magia desse olhar Deixa esvair-se no tempo. Italmar Menezes
Preciso de alguém Preciso de alguém que me faça ser educado, que amanheça ao meu lado. que sempre me compreenda, se necessário, me repreenda, dizendo sempre: - Meu amor... Preciso de alguém que sempre me dê coragem, que queira seguir viagem pra onde quer que eu vá, sem ao menos perguntar pra onde é que eu vou. Preciso de alguém que queira mudar minha vida, que lute comigo na lida, que me aponte os caminhos, que queira receber meus carinhos, que me mostre o meu valor. Preciso de alguém que me tenha mais que amizade, que satisfaça minhas vontades, que me beije com paixão, que sempre me estenda a mão e que tenha o cheiro da flor. Preciso de alguém que queira se sentir amada, que queira ser cortejada, cantada nos mais belos versos e queira ser a dona do universo e de tudo de belo que for. Preciso de alguém que ao me ver, me sorria, que me mostre sua alegria num espontâneo sorriso. Por Deus, deste alguém eu preciso sem demora, por favor, pra me tirar desta angústia, desta agon...
CLÍMAX Lentamente bamboleias; este bambolear que arranca de mim os cicios que te cativam. Minhas mãos ébrias e aventureiras vagueiam displicentes por tuas formas, provocando frêmitos que te bolinam. De súbito, te vejo sucumbir; e tão intensamente, que me leva contigo. Meu sangue borbulhante verte-se em corredeiras que deságuam aonde então, já se tinha feito mar. As ávidas línguas que se entrelaçam e sorvem-se, uma à outra, o calor febril das peles que se atritam, o leite salgado, o fragor dos corpos torpes, os gemidos lacônicos e plangentes, são as evidências do clímax deste mágico momento. Depois o torpor... os olhos magnetizados, fitam-se apaixonadamente enquanto que as mãos afagam as faces em sinal de agradecimento. Embevecidos, permanecemos assim... Meu peito cheio de amor, teu corpo cheio de mim. Morrendo de exaustão, quedamo-nos de lado, contentes em saber que, de exaustão, todos os dias, morremos para a vida. Italmar Menezes
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